Há
pessoas que sempre moraram na mesma rua, sempre compram na mesma padaria,
sempre frequentam os mesmos lugares. Eu nunca fui assim.
Nasci neta de imigrantes e de pais aventureiros. Cresci vendo veleiros sendo construídos na sala da minha casa, numa família cheia de projetos e novidades que me ensinou que os sonhos não tem limites ou prazo de validade.
Casei muito cedo. Fiquei viúva aos 24 anos. Casei de novo, tive filhos, me separei, morei em mais de uma cidade. Reinventei a vida muitas vezes. Próximo aos 40 anos, resolvi parar de fumar e, para vencer a fissura do vício, comecei a nadar todos os dias. Virei triatleta.
Ouvi mais de uma vez que jamais entraria numa faculdade pública de medicina. Que há coisas que tem idade para serem feitas. Há muito preconceito com pessoas que mudam de vida, sobretudo numa época em que a maior parte já desistiu de seus sonhos e pendurou as chuteiras.
Após dois anos de cursinho, aos 50 anos, entrei em medicina na Universidade Publica do Ceará. Mudei-me para lá. O desafio é cotidiano. Muitas vezes tenho medo de não dar conta, mas não ter a coragem de enfrentá-lo poderia me fazer viver o resto da vida à margem de mim mesma.
Quando alguém me pergunta se não acho que terei pouco tempo depois de formada, sorrio e respondo que pode até ser, mas, qual de nós sabe dizer o tempo que teremos de vida? O que de fato me interessa é a qualidade da vida que escolho para mim todo dia.
Nasci neta de imigrantes e de pais aventureiros. Cresci vendo veleiros sendo construídos na sala da minha casa, numa família cheia de projetos e novidades que me ensinou que os sonhos não tem limites ou prazo de validade.
Casei muito cedo. Fiquei viúva aos 24 anos. Casei de novo, tive filhos, me separei, morei em mais de uma cidade. Reinventei a vida muitas vezes. Próximo aos 40 anos, resolvi parar de fumar e, para vencer a fissura do vício, comecei a nadar todos os dias. Virei triatleta.
Ouvi mais de uma vez que jamais entraria numa faculdade pública de medicina. Que há coisas que tem idade para serem feitas. Há muito preconceito com pessoas que mudam de vida, sobretudo numa época em que a maior parte já desistiu de seus sonhos e pendurou as chuteiras.
Após dois anos de cursinho, aos 50 anos, entrei em medicina na Universidade Publica do Ceará. Mudei-me para lá. O desafio é cotidiano. Muitas vezes tenho medo de não dar conta, mas não ter a coragem de enfrentá-lo poderia me fazer viver o resto da vida à margem de mim mesma.
Quando alguém me pergunta se não acho que terei pouco tempo depois de formada, sorrio e respondo que pode até ser, mas, qual de nós sabe dizer o tempo que teremos de vida? O que de fato me interessa é a qualidade da vida que escolho para mim todo dia.
Lúcia Lara, 51 anos.
Depoimento
para o livro "A Bela Velhice", de Mirian Goldenberg.